quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Saber amar


(Honrada e emocionada, apresento meu 100º texto. Uau! E ofereço a vocês, meus parceiros, meus amigos de verdade...)




Hoje eu descobri que sou amada.

A história foi contada da forma como aconteceu, eu só sei ser assim. E por só saber ser assim, não fiz muitas amizades pelo meu estreito caminho de quarenta e quatro anos... Muitas decepções marcaram presença nele. Se olhar direitinho, com os olhos do coração, se ouvir direitinho com os ouvidos da minha alma, posso ver os rastros, ouvir os passos deste mundo de gente que passou pela minha vida só por passar...
Hoje voltei para casa preocupada em chegar bem. Porque não prestei atenção em absolutamente nenhuma parte do meu caminho. Vim refazendo minha história, partindo do parágrafo onde terminei de contar a história dela...
Foi quando cheguei a Iguaba Grande que percebi os amigos que havia deixado em São Gonçalo. É verdade, foi preciso que eu me distanciasse. Poucos vieram comigo. Trouxe alguns no coração, mas a maioria deles se afastou dele, depois que se foi do meu pensamento. E, estando aqui há doze anos, conto nos dedos os que ficaram comigo. Hoje posso dizer que tive até umas surpresas boas: gente que eu pensei que me esqueceria, descobri que me amava de verdade.
Meu ex-marido escreveu uma vez, num folheto de CD, que eu “era um romeiro seguindo meus passos de deusa”, e que “meus rastros cheiravam a rosas”... Decerto, escreveu isto enquanto era meu marido. Mas apesar de ele ter ido embora da minha vida, gostei daquilo que li, e de vez em quando lembro do papel, para levantar a autoestima...
As amizades que fiz por lá, solidificaram-se aqui, em Iguaba. Estou distante das pessoas, algumas nem vi mais e, no entanto, jamais as senti tão próximas. Sinto-me verdadeiramente pronta para acolher esses amigos se eles precisarem de mim, como me sinto pronta para ir-lhes ao encontro, num dia de saudade ou desespero... Há braços abertos, aqui e lá, prontos para o enlace...
Sob julgamentos, comecei minha coleção de amigos neste meu novo endereço. Tarefa difícil, quando se chega a uma cidade onde não se conhece ninguém. Trabalhar com gente estranha... Sim, foram muitos os julgamentos, não é difícil imaginar: sozinha, com trinta e um anos, separada, sem filhos, com toda a família em São Gonçalo... Mudança radical de vida! E sempre assusta, a pessoa que muda. Todo mundo está acostumado com o que está estagnado. O diferente, o que vem de fora é uma aberração, ao primeiro contato.
Mas como minha vinda pra cá foi um presente de Deus, eu fui acolhida por pessoas carinhosas. E dentre todos os sorrisos daquela época, hoje tenho ao meu lado alguns, e o mais importante, tenho os verdadeiros. Posso encher a boca e chamar de amigos, como sei que podem me chamar de amiga, também.
Hoje foi um dia daqueles especiais em que Deus se dispõe a olhar pra gente com prioridade. Ele nos põe na palma de Suas mãos, acaricia, roça-nos a barba branca e macia. O abraço de Deus é gostoso, é libertador. E, diante da dificuldade em fazê-lo fisicamente, Ele nos põe de encontro a amigos. E são deles os abraços que recebemos. Ter amigos é ser abençoado pelo próprio Deus!
Este é o meu centésimo texto publicado...
Em cem textos expus minha vida, meus “rastros perfumados de deusa”, minha impressão das coisas. Por cem vezes contei minhas histórias. Aquele que acompanhou as leituras desde a primeira vez, sabe que faço costuras, que arremato um texto no outro, que volto alguns atrás numa citação do mais novo... Enfim, teço a teia, como vou tecendo essa minha vida que pouco importa aos meus verdadeiros amigos, mas que tornou-se – e eu não sei por que motivo! – alvo de atenção de tantos lobos por aí.
Eu fiz amigos novos, recentemente, e ando muito feliz por isto. Descobri pérolas, verdadeiros “achados”, no meio de gente que já não imaginava trazer-me surpresa alguma. Hoje, particularmente, descobri que tem gente que acha que valho ouro quando há muito pouco tempo fui julgada e atirada ao abismo onde se escondem os podres, como nas comunidades onde vivem os leprosos, os dependentes químicos, os mendigos, os ladrões da pior espécie. Tendo apontado o dedo indicador na direção do meu nariz, rotularam-me de “má influência” e afastaram-se, como se eu portasse uma doença contagiosa muito, muito séria...
Mas Deus nos prova no fogo, e ouro resiste ao fogo. Sou de ouro, uma amiga me disse hoje. Eu já vinha me curando da dor de cair no abismo, já estava chegando à tona e, quando pensava não ter mais força para sair de lá e temia cair de novo, uma amiga estendeu-me a mão. E ela nem sabe o que fez por mim!
Quando o futuro – de amanhã, mesmo, não o tardio! – vier, não precisarei mais de doze anos para avaliar os amigos que ficaram. Eu sei. Precisei de doze anos porque tinha apenas trinta. Agora fica mais fácil discernir.
Agradeço a Deus pelos meus dias aqui em Iguaba. Quem acompanha minha vida sabe o quanto tenho sido feliz, o quanto tenho alcançado vitórias com as experiências que bem ou mal sucedidas compõem a pessoa que sou hoje. E eu não teria sido nada, absolutamente nada, não fossem as pessoas que estiveram ao meu lado – aqui, mesmo, ou através desta tela – durante todo esse tempo.
Eu não devo nada àquele que deixa de viver sua própria vida para cuidar da minha. Eu lamento, apenas, porque os dias, os meses, os anos, a vida estão passando e tem gente que não está percebendo isto, preocupada que está com a forma como eu escolhi viver.
Mas aos meus amigos, ah, a esses devo tudo! Devo as alegrias, as gargalhadas, os momentos inesquecíveis... Devo os choros, os borrões nos olhos, o nariz avermelhado... Devo as mensagens, as ligações, os abraços nas horas certas... Devo os “tamojunto”, as orações, as fotos, as companhias, as presenças, as certezas de que tem gente do outro lado pra me acenar, se eu precisar um dia...
A quem interessar possa, eu não estou sozinha no mundo. Tenho uma família em São Gonçalo, tenho uma família em Iguaba Grande. Aprendi a selecionar os amigos, e agora tenho um bocado deles, um grupo pequeno, mas contagiante. Um grupo que sabe amar.
No meio disto tudo descobri que sou amada. Na era da robótica e da cibernética, virtualmente, inclusive! E descobri que sou amada porque aprendi a amar.
Eis meu centésimo texto: uma ode à amizade, para quem enxergar ser poesia o que aqui está escrito e tiver pulmões para cantá-la!
A vocês, todos, que saberão incluir-se em alguns dos parágrafos que cantei, obrigada! Vai ver deixei, mesmo um perfume de rosas pelo caminho... Não sou nada sem vocês.

13 comentários:

  1. Pelo meu caminho você deixou perfume de rosas e muitas saudades... Ainda vou a Iguaba conhecer um pouco desse seu "porto", conhecer Antônio e falar da vida... Bjs

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  2. Minha amiga!...
    Eu é que qualquer dia estarei, aqui, escrevendo sobre nossa amizade!!!...
    Obrigada pela presença! Bjs.

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    1. Emocionante Karla. Me vi no seu texto, mas não só do lado de cá da tela. Me vi compartilhando história e sentimentos. Na verdade até os amigos que ficaram pra trás foram importantes, não importa por quanto tempo, foi bom que eles tenham estado lá. Cada um que passa deixa um pouco de si e leva um pouco de nós. É isso. Estamos juntas agora e particularmente estou gostando muito disso. De ligar a máquina e ver amigos do outro lado, que leram nossas mensagens, que riram de nossas graças (mesmo quando não são tão engraçadas assim), que se emocionaram e nos emocionam e nos ajudam a tecer nossas manhãs, nossas tardes e noites. Um beijo enorme.

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    2. Fico feliz em ver que identificou-se com o texto, Janaina... É sinal de que muito temos em comum! Verdadeira teia essa nossa, certamente! Bjs. ;)

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  3. È Karla, com você passei e venho passando ótimos momentos de alegria e aprendizado. Saber que cada dia que irei te reencontrar terei várias oportunidades de ver a vida pelo olhar da felicidade tem sido uma experiência maravilhosa.
    Que Deus abençoe e eternize nossa amizade

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    1. Amém! Quero tê-la sempre por perto, Gi!...

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  4. Venho acompanhando seus textos a algum tempo, são lindos! Gosto do jeito como escreve. A primeira impressão que você me deixou quando te conheci foi de força! Não a conheço muito mais me passa muita força!!! Continue nos agraciando com as sua maravilhosas poesias!!!

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  5. Karinne, muito obrigada! É bom saber que tem gente que gosta daqui, que lê como poesia as coisas que escrevo... Às vezes, é justamente o que tento passar, embora sem dizer nada... Quanto à força, não sei. Mas se a tenho, com certeza vem de Deus! Foi um prazer conhecê-la também!

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  6. Mais um texto intenso e que passa amor,de forma tão poética que emociona,faz pensar...lembrei imediatamente de um trecho
    que amo "Em um mundo que se fez deserto temos sede de encontrar companheiros"...Antônio nos uniu,pelo nosso pela maternidade e espero que possamos sempre cultivar esse tesouro chamada amizade... eu amoadmirovocê!!!

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  7. Peraí que tô me refazendo, pois fiquei meio que perdido no caminho. Confesso que ainda não me achei. Então, por favor, permita-me lançar uma campanha aqui neste seu espaço: "procura-se um Francisco perdido entre vogais, consoantes, conjunções, vírgulas, palavras, frases; enfim, num texto, que remete qualquer pessoa sensível ao contexto profundamente emocionante e verdadeiro, produzido por você com a maestria já conhecida. Confesso-lhe ter sentido uma baita inveja (a 'branca', tá legal?)de um desses seus maravilhosos amigos (acredito que para fazer parte do seu seleto círculo de amizades, alguém tenha que ser maravilhoso!)e rogo a Deus para muito brevemente, tipo amanhã, quem sabe, ser considerado por você como tal.
    Quanto vale a sua amizade? Não responda, pois já sei a resposta. Tenha a certeza de que vou conseguir essa RIQUEZA. Você foi muito mais 'safa' que eu e conseguiu essa riqueza com mais destreza e conseguiu "comprar" a minha simpatia, minha admiração e como 'troco' levou também a minha amizade, que, por enquanto, ainda é virtual. Beijos!

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    1. Como assim? Inveja de quem? Será que não se viu nas linhas, nem nas entrelinhas? Só uma tela nos afasta, amigo... Seja bem-vindo ao clã!!!

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